Milhares de pessoas de diferentes nações participaram da Marcha em Belém neste sábado – Foto|: reprodução / Instagram Mídia Indígena Oficial
Movimentos sociais, estudantes, pesquisadores e indígenas brasileiros e de outros países amazônicos estiveram presentes entre as mais de 30 mil pessoas na Marcha Global pelo Clima, realizada em Belém (PA), neste sábado, em um clamor por “justiça climática”. A mobilização pediu o “fim dos combustíveis fósseis na Amazônia”.
A marcha de 4,5 km saiu do Mercado de São Brás até a Aldeia Cabana como parte da programação da Cúpula dos Povos, que tinha a presença das ministras Marina Silva, do Meio Ambiente, e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas.
Marina Silva discursou fazendo um chamado para que a COP-30 foque na transição para priorizar o fim da exploração e do uso de combustível fóssil.
“Nós temos que fazer o mapa do caminho para a transição, para o fim da dependência de carvão, de petróleo e de gás. É fundamental que o mundo dê demonstração de que vamos, sim, adaptar. […] Nosso compromisso é desmatamento zero”, disse ela.
Já a ministra Sônia Guajajara, primeira indígena a ocupar um ministério no Brasil, destacou que a Amazônia se tornou o centro do debate global, e a marcha é a “zona azul da COP-30”.
“Nós, povos indígenas, que sempre estivemos aqui, nos juntamos neste momento para receber o mundo. Chegou a vez da Amazônia falar para o mundo. Chegou a vez aqui de encontrarmos o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pampa, o Pantanal, a Caatinga, que estão sendo igualmente destruídos. É por isso que aqui se torna, neste momento, a zona azul da COP-30, onde se encontram os guardiões e as guardiãs da vida”, disse.
A Marcha Global pelo Clima foi organizada pela Cúpula dos Povos, reunião de entidades e movimentos sociais que mantém um evento paralelo na Universidade Federal do Pará, tradicionalmente ligados ao PT e partidos de esquerda.
Os participantes querem entregar um relatório que chama atenção para o fato de a população mais pobre ser a mais afetada pelas mudanças climáticas. O documento foi finalizado na sexta-feira (14) e será entregue em mãos para o presidente da COP 30, embaixador André Correa do Lago no domingo, 16.
“Esses documentos têm uma influência significativa nas negociações. É muito importante a sociedade civil prepará-los e encaminhá-los para os negociadores”, disse o presidente da COP30 durante entrevista neste sábado, em Belém.
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