Escola desfilou na noite de domingo – Foto: Eduardo Hollanda RioTur
Um levantamento realizado em Goiás pela Consultoria Métis sobre a repercussão nas redes sociais do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói aponta cerca de 12,5 mil menções ao tema, aproximadamente 4,2 mil compartilhamentos e alcance estimado de 450 mil pessoas. O levantamento aponta alta predominância de críticas negativas de cunho político-ideológico (62%), e também 28% considerando positivo e 10% neutros.
O samba-enredo da escola homenageou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo (15), no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Divulgado com exclusividade pelo Diário de Goiás, o levantamento mostra ainda uma evolução rápida das críticas, concentrada em nichos.
O estudo indica que a negatividade em território goiano foi de cunho político-ideológico, e superior à observada no Rio de Janeiro, onde o debate teve viés mais cultural e técnico.


O responsável pelo levantamento da Métis é o jornalista especializado em Marketing, mestre em Comunicação e doutor em Sociologia, Luiz Carlos Fernandes. Ele aponta que, nas primeiras 24 horas após o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula, a discussão em Goiás deixou de focar na estética e na performance da escola e passou a concentrar-se na legalidade da homenagem, ignorando que essa suposta ilegalidade não foi confirmada nos órgãos de controle.
A circulação de notícias sobre ações movidas por partidos e parlamentares no Tribunal Superior Eleitoral impulsionou o debate jurídico nas redes. Em Goiás ganhou força o argumento de que a homenagem representaria afronta à Justiça Eleitoral, mesmo a Corte tendo liberado a apresentação da escola de samba.
Além disso, entre as narrativas identificadas, destacam-se também críticas ao repasse de R$ 1 milhão à escola. O repasse foi enquadrado por opositores como “uso de verba pública” ou “propaganda antecipada”, independentemente de ter havido verba a todas as escolas e de a Acadêmicos de Niterói ter dispensado valores da Lei Rouanet. Em janeiro a escola dispensou R$ 5 milhões da lei porque a aprovação do projeto de captação tinha saído somente dezembro, e seu projeto foi arquivado.
O relatório aponta ainda uma dinâmica de “triangulação” em Goiás, com influenciadores políticos locais pautando grupos de WhatsApp e Telegram, que amplificam o engajamento. Parlamentares de oposição e líderes do agronegócio aparecem como principais hubs de disseminação, enquanto o sentimento positivo à homenagem a Lula no samba-enredo da Acadêmicos de Niterói permanece concentrado em nichos acadêmicos e sindicais.
A análise conclui que Goiás se consolida como polo de resistência no debate digital sobre o governo federal, funcionando como termômetro relevante para a percepção política como “estado bolsonarista”.
A metodologia do levantamento envolveu a técnica de marketing de raspagem (coleta) de dados por inteligência artificial nas redes sociais (Facebook, Instagram, WhatsApp e Telegram) e avaliação de matérias veiculadas nos 10 veículos mais importantes de Goiás, além de comentários dos leitores vinculados às publicações.
Ao editor-geral do Diário de Goiás, o jornalista Altair Tavares, Luiz Carlos confirma que Goiás “é mais Bolsonarista do que a Bahia e o Rio de Janeiro”, explicando que o desfile da escola teve uma repercussão mais negativa entre patrulhas digitais e nichos goianos comparativamente aos desses dois estados. Exemplo disso foi a persistência alta de reprovação, enquadrando o valor como “desperdício” ou “compra de apoio”, ignorando o fato de que o valor foi igual para todas as escolas cariocas que desfilaram em 2026.
Por outro lado, o sentimento captado não reflete um dado nacional ou uniforme com os outros dois estados avaliados (BA e RJ), esclarece Luz Carlos.
“Não dá para falar que o desfile gerou imagem mais negativa que positiva para o presidente Lula. Vamos aos dados que temos: BA (14,87 milhões) e RJ (17,2 milhões) tem muito mais pessoas que Goiás (7,42 milhões). Ou seja, se tomarmos apenas os percentuais populacionais de pessoas em Goiás, temos uma repercussão negativa de 4,4 milhões (GO), enquanto na Bahia foram 3,2 milhões e 7,7 milhões negativas no Rio. O total positivo ou neutro ficou com 2,9 milhões em Goiás, 9,6 milhões no Rio e 12,6 milhões na Bahia. Então temos cerca de 15 milhões negativos contra o total de 25,1 milhões positivo ou neutro”, detalha o consultor.
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