Deputada foi condenada também por perseguir armada um adversário político e por invadir sistema do CNJ – Foto: reprodução / redes sociais
Mais um bolsonarista está na corda bamba com a Justiça, dessa vez, na Corte de Apelação de Roma, onde vai ocorrer, no próximo dia 27, a audiência para decidir se a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) será extraditada de volta para o Brasil. Após ser protelada diversas vezes por manobras da parlamentar, a sessão está marcada para 13h no horário local (9h em Brasília).
Nesta audiência haverá manifestações do Ministério Público italiano, do representante do governo brasileiro, da defesa de Zambelli e da própria parlamentar, que poderá falar aos juízes. A informação foi divulgada pela Folha de S. Paulo.
Fuga internacional
A deputada Zambelli está detida em Roma desde 29 de julho. Ela tinha sido presa na capital italiana após cruzar a fronteira brasileira rumo à Argentina e, em seguida, seguir viagem primeiro para os Estados Unidos e depois para a Europa tentando valer uma cidadania italiana por parentesco.
Na Itália, a decisão da Corte deve ser divulgada posteriormente à audiência. Entretanto, caso a extradição seja aprovada, os encaminhamentos posteriores dependem do Ministério da Justiça da Itália, órgão responsável por validar ou não a extradição.
O Ministério Público italiano já deu parecer favorável ao envio da deputada ao Brasil, atendendo ao pedido formal do governo brasileiro.
O pedido de extradição ocorreu após a condenação definitiva da parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um dos processos contra ela. Carla Zambelli foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por perseguição armada contra um apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022, na véspera do segundo turno.
Carla Zambelli acumula condenação por invadir CNJ
A deputada ainda acumula pena de 10 anos por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ambas as decisões já transitaram em julgado, condição que autoriza a execução das penas.
Na Itália Zambelli vinha alegando perseguição política para evitar sua extradição. Ela também tentou deixar alegando problemas de saúde, mas passou por avaliação determinada pelo Tribunal de Apelações de Roma e foi mantida na penitenciária feminina Germana Stefanini, também chamada de prisão de Rebibbia, um bairro de Roma.
O local onde ela está presa é um complexo penitenciário com capacidade para 272 pessoas, e em julho registrava superlotação com 369 presas. Em outubro ela chegou a anunciar uma greve de fome que não foi adiante.
Defesa aciona CIDH e fala em “conluio” de Moraes com magistrados italianos
O advogado da banca italiana contratada pela deputada, Fabio Pagnozzi, anunciou há um mês ter acionado a Corte Interamericana de Direitos Humanos pedindo intervenção no caso.
Em afirmação arriscada e sem provas, ele fala em “conluio” do ministro Alexandre de Moraes, do STF, com magistrados italianos que “têm colaborado internacionalmente para uma perseguição política” contra Zambelli. Nas alegações, cita o apoio dos parlamentares bolsonaristas: senadores Jorge Seif (PL-SC), Damares Alves (PL-DF) e Magno Malta (PL-ES).
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