A nova diretoria do Jóquei Clube de Goiás espera renegociar as dívidas relacionadas à sede social, no Setor Central, e ao Hipódromo da Lagoinha. Enquanto aguarda o envio dos dados oficiais pela Prefeitura de Goiânia, a presidente Nívea Cristina avalia a possibilidade de adesão ao Programa de Recuperação de Créditos Tributários, Fiscais e Não Tributários (Refis) de 2026. Paralelamente, a entidade pretende questionar os valores estimados para a indenização decorrente da desapropriação da sede social.
“Assim como qualquer contribuinte, o Jóquei Clube também tem direito a um eventual Refis”, afirmou a presidente, em entrevista ao Jornal Opção. “O desconto de juros e multas, em uma dívida antiga, pode ser muito significativo. Um dos pedidos feitos ao município foi essa simulação: com o Refis de 2026 no fim do ano, qual seria o valor real da dívida com os descontos? “Isso é fundamental e não se trata de privilégio, mas do mesmo tratamento dado a qualquer contribuinte”, pontuou.
Para Nívea, o município tem demonstrado abertura ao diálogo. “Fomos convidados pela atual gestão para conversar, e há disposição para buscar soluções conjuntas. É importante que o Jóquei não seja visto apenas como algo a ser tomado, mas como parte da história da cidade”, afirmou a presidente. Ela acrescenta que aguarda o envio de dados detalhados sobre as dívidas, especialmente relacionadas ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) do Hipódromo da Lagoinha.
No entanto, Nívea afirma que a proposta de indenização pela desapropriação do imóvel na Avenida Anhanguera, no Setor Central, apresenta valor considerado muito abaixo do esperado. Dessa forma, ela não descarta pedir impugnação da avaliação imóvel para discutir o valor indenizatório.
“A desapropriação não vincula automaticamente a indenização às dívidas. O município é obrigado a depositar o valor da indenização, ainda que em juízo. Nesse processo, podemos questionar a avaliação feita pela Prefeitura, estimada em cerca de R$ 50 milhões. No passado, houve tratativas para a venda do imóvel à Igreja Universal, com proposta superior a R$ 100 milhões”, afirmou a representante da nova diretoria.
Além da negociação da indenização, o próximo passo do plano de reestruturação do Jóquei Clube é analisar alternativas para o pagamento das dívidas, como a adesão a um programa de recuperação fiscal, a exemplo do Refis. “A diretoria pretende aguardar o melhor momento para utilizar esse recurso, quitar o máximo possível das dívidas e, se viável, manter algum caixa para funcionamento”, disse ao Jornal Opção.
“A juíza concedeu a posse ao município condicionada ao depósito da indenização em juízo, dentro de prazo determinado. Esse valor permanece depositado judicialmente e pode ser bloqueado posteriormente para pagamento de execuções fiscais, mas isso não ocorre de forma automática. O encontro de contas se dá em processos próprios; o município não pode simplesmente deixar de pagar a indenização em razão da existência de dívidas”, explicou a presidente a respeito do processo.
Até o momento, não há informações sobre os valores dívidas do IPTU do hipódromo. À gestão também questiona o valor venal de R$ 300 milhões e o custo do tributo em R$ 13 milhões.
Em Goiânia, o Refis não possui data fixa. O programa é instituído por um lei, após tramitação do projeto na Câmara Municipal de Goiânia, e costuma ser lançado uma vez por ano, geralmente no segundo semestre ou no final do ano.
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