O setor de saúde suplementar vive uma transição decisiva. Transparência, integridade da informação e precisão técnica deixaram de ser apenas exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a sustentabilidade e a credibilidade das operadoras. Em um ambiente cada vez mais monitorado, dados corretos não são apenas números enviados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Eles impactam na reputação, capacidade de planejamento e possibilidades de crescimento.
Levantamento recente, realizado pela healthtech Blendus, com base em dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), aponta que operadoras com processos estruturados de qualificação da informação apresentaram desempenho médio 17% superior no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar. De acordo com o estudo, no ano-base 2024, a média dessas operadoras foi de 0,7964, enquanto a média geral do setor ficou em 0,6825. Além disso,o levantamento aponta que 45,45% das operadoras com dados qualificados atingiram o nível de acreditação exigido pela RN 507, percentual superior ao observado entre as demais. Os números indicam que consistência técnica e qualidade das informações têm reflexo concreto nos resultados institucionais.
O ambiente regulatório também evolui nessa direção. A substituição definitiva do Sistema de Informações de Produtos pelo padrão TISS como fonte primária para o Monitoramento do Risco Assistencial reforça a centralidade da gestão adequada dos dados. Falhas no envio de informações podem comprometer avaliações, limitar oportunidades e gerar medidas administrativas. A gestão da informação deixa de ser apenas operacional e passa a integrar a estratégia das operadoras.
No Ipasgo Saúde, compreendemos esse cenário como um processo contínuo de aprimoramento. Somos a maior autogestão de saúde suplementar do país, com mais de 585 mil vidas sob cobertura, e reconhecemos que a complexidade dessa operação exige evolução permanente.
Passamos por um processo de migração e organização das bases de dados da nossa operação, etapa que exigiu esforço e inteligência e hoje o Ipasgo Saúde está com todas as obrigações de entrega para a ANS em dias. Na prática, isso significa que integramos informações assistenciais, administrativas e regulatórias em um ambiente seguro e padronizado. Quando os dados seguem critérios claros e uniformes, conseguimos reduzir inconsistências, melhorar análises e apoiar decisões com maior segurança técnica. Também trabalhamos na consolidação de um dicionário de dados, que define de forma objetiva como cada informação deve ser registrada e interpretada, facilitando a integração entre áreas.
Além de cumprir todas as exigências documentais da ANS para a conclusão do processo de registro, mantivemos nosso compromisso com a conformidade regulatória. Essa disciplina é parte da construção de uma governança mais sólida e orientada por evidências.
Gestão eficiente e científica se constrói com informação confiável. Em saúde, isso significa planejar melhor, utilizar recursos com responsabilidade e ampliar a capacidade de oferecer cuidado sustentável. A transformação do setor reforça uma premissa simples: dados bem tratados fortalecem instituições e beneficiam diretamente quem mais importa, o paciente.
*Bruno D´Abadia é o Presidente do Ipasgo Saúde