Ronaldo Caiado em discurso na Alego nesta quarta-feira (18). (Foto: Will Rosa/Alego)
Na sua última participação como governador na abertura de um ano legislativo na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o governador Ronaldo Caiado (PSD) adotou um tom combativo e eleitoral. Além de destacar os feitos de sua administração, sobrou munição contra o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB).
No discurso, Caiado quis construir a ideia de que Marconi e o PT são, nas palavras dele, ‘gêmeos siameses’. Em uma dezena de vezes, sem citar o nome do tucano, o governador fez vinculações. “O ex-governador e o PT nacional trabalharam juntos, fechados, para dificultar obras em Goiás”, acusou.
Quando fez acusações contra Lula, o governador também referiu-se a Marconi. Na segurança pública, por exemplo, numa menção ao presidente, disse que “o mandatário maior é conivente e parceiro do narcotráfico” e que “em Goiás não era diferente” antes da sua chegada ao Palácio das Esmeraldas.
“Depois que cheguei ao governo, a primeira ordem foi: ‘ou bandido muda de profissão ou muda de Goiás’. É a mudança de conceito. Mudamos o estado de Goiás e vamos mudar o Brasil”, frisou Caiado, já num discurso de pré-candidato à presidência da República. Noutra cutucada ao tucano, afirmou: “não vou ter que me mudar de Goiás e morar em São Paulo”.
Os ataques ao PT foram impulsionados pelas críticas do deputado estadual Antônio Gomide (PT), que discursou pela oposição, ao déficit primário nas contas do Estado, à gestão da Universidade Estadual de Goiás (UEG), à cobrança da taxa do agro, às mexidas no Ipasgo e ao gargalo de infraestrutura energética. Por várias vezes, Caiado, em tom jocoso, disse que “é preciso estudar” para tratar dos temas com exatidão.
Elogios à gestão e olhar nacional
De olho na disputa presidencial, o governador, sempre ao elogiar o próprio governo, fez projeções nacionais. Segundo ele, faltava um governante com autoridade moral em Goiás. E falta agora no Brasil. “
“Goiás é o exemplo a ser demonstrado nacionalmente. Aqui onde se prevalecia corrupção, desmando, criminalidade, o desencanto das pessoas. Agora é o estado que você vai, em todas as pesquisas, tem aprovação de 88%. Se não tiver autoridade moral, é a próxima venezuelização do país”, completou.
Caiado também criticou dados fiscais do governo federal e afirmou que a dívida do país já chega a 94% do PIB. “Aqui (em Goiás) era a cópia do modelo do PT, irmãos siameses. Acharam que era no populismo e cada vez mais endividando o país”, disse Caiado, que reafirmou que deixa o governo em 31 de março e com R$ 9,8 bilhões em caixa.
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